Cólica: conheça os tipos, causas, tratamentos e curiosidades.

A cólica se refere ao tipo de dor que "vai e vem",1 acontece por diversas causas e pode ser separada em alguns tipos, sendo que para cada causa existe um tratamento. Confira!

Cólica menstrual

Também chamada de dismenorreia, a cólica menstrual é caracterizada por dor no baixo ventre durante a menstruação, e pode vir acompanhada de náusea, diarreia, dor de cabeça e, em alguns casos, até desmaio.2 O exame físico é importante para diferenciar a dismenorreia primária da dismenorreia secundária.3

Tipos de cólica menstrual

Primária: é a mais comum e costuma aparecer pouco depois das primeiras menstruações. É causada por uma substância chamada prostaglandina, responsável pela contração do útero.2

Tratamento para cólica menstrual primária

Há boa resposta à terapia com anti-inflamatórios não esteroides, anticoncepcionais orais e anti-inflamatórios não hormonais, como ácido mefenâmico, cetoprofeno, piroxicam, ibuprofeno, naproxeno e outros.3 Além disso, as mulheres que sofrem com esse tipo de cólica podem se beneficiar da adoção de algumas medidas, como:

  • Prática regular de exercícios físicos aeróbicos, como andar, nadar, correr e pedalar;2
  • Aplicação de bolsa de água quente;2
  • Dieta rica em fibras;2
  • Beber bastante água;2
  • Banho morno;3
  • Massagens relaxantes;
  • Repouso;3
  • Acupuntura.3

Secundária: é provocada por alguma doença ou distúrbio, como endometriose, mioma, problemas com o uso de DIU, alterações do útero e dos ovários ou doença inflamatória pélvica.2

São considerados diagnósticos diferenciais não ginecológicos da dismenorreia secundária:3

  • Síndrome do cólon irritável;
  • Constipação crônica;
  • Doença intestinal inflamatória;
  • Dor musculoesquelética;
  • Infecção do trato urinário;
  • Cálculo renal.

Tratamento para cólica menstrual secundária3

O mais eficaz é identificar a causa, usar analgésicos ou anti-inflamatórios não hormonais para alívio da dor e, muitas vezes, correção cirúrgica.

Cólica intestinal

A cólica pode ser parte de uma síndrome funcional ou de uma obstrução intestinal mecânica. As aderências pós-operatórias são, em geral, a causa mais comum de obstrução recorrente do intestino delgado. No entanto, mais exames de imagens podem ser necessários para excluir outras causas, como doença neoplásica ou inflamatória (por exemplo, doença de Crohn), especialmente se não houver história de cirurgia anterior. Sintomas obstrutivos subagudos ou recorrentes do intestino grosso requerem investigação urgente.4

Tratamento para cólica intestinal

O tratamento da obstrução que provoca a cólica intestinal é baseado na remoção do fator que a causa e controle das consequências sistêmicas. Baseia-se em:5

  • Controle de diurese (urina);
  • Antibióticos;
  • Analgésicos;
  • Medicações para reduzir o processo inflamatório;
  • Octreotide para reduzir secreções gastrointestinais;
  • Antiespasmódicos;
  • Corticoides.

Cólica renal6

Os rins são os órgãos responsáveis por filtrar e excretar os dejetos presentes no sangue. Cálculos renais ou pedras nos rins são formações endurecidas que se formam nos rins ou nas vias urinárias, como resultado do acúmulo de cristais existentes na urina. A maioria dos pacientes apresentam dor muito forte, quase insuportável, que começa nas costas e se irradia para o abdômen em direção à virilha. É uma dor que se manifesta em cólicas, isto é, com um pico de dor intensa seguido de certo alívio. Além disso, estão entre os sintomas:

  • Náuseas e vômitos;
  • Sangue na urina;
  • Suspensão ou diminuição do fluxo urinário;
  • Necessidade de urinar com mais frequência;
  • Infecções urinárias.

Tratamento para cólica renal6

O tratamento pode ser clínico, com medicamentos para controlar a dor e auxiliar na eliminação espontânea do cálculo. Quando o cálculo não é expelido espontaneamente, podem ser necessários outros procedimentos, tais como:

  • Bombardeamento das pedras por ondas de choque visando a fragmentação do cálculo, o que torna sua eliminação pela urina mais fácil (litotripsia);
  • Cirurgia para retirar o cálculo dos rins ou do ureter após sua fragmentação (cirurgia endoscópica ou ureteroscopia).

Algumas vezes, baseado em uma extensa investigação clínica e laboratorial, é necessário o uso de medicamentos que alteram a composição da urina.

Também é importante:

  • Ao perceber a possibilidade de estar eliminando um cálculo, utilizar um filtro de papel para recolhê-lo. A análise de sua composição pode orientar o médico na escolha do tratamento mais adequado;
  • Procurar atendimento médico, especialmente se tiver dores intensas nas costas ou no abdômen e sinais de sangue na urina.

Cólica biliar1

A cólica biliar é uma apresentação comum de um cálculo no duto cístico ou duto biliar e, geralmente, inicia após uma refeição pesada e gordurosa que causa contração da vesícula biliar. O tratamento dessa doença é principalmente cirúrgico, envolvendo a remoção da vesícula biliar, normalmente por meio de uma técnica laparoscópica (minimamente invasiva). Essa condição médica comumente não requer internação hospitalar.

A cólica biliar, em geral, se refere à dor que ocorre a partir de uma obstrução temporária da árvore biliar e desaparece por conta própria. Sua obstrução prolongada ou impactação completa de uma pedra dentro da árvore biliar acabará por levar à colecistite (inflamação na vesícula biliar) ou colangite (obstrução e inflamação das vias biliares), na qual a dor será constante e crescente.

Tratamento para cólica biliar1

O tratamento da cólica biliar é principalmente cirúrgico. Seu manejo envolve:

  • Manutenção de uma dieta estrita, com baixo teor de gordura;
  • Antieméticos (medicamento para o alívio de náuseas e vômito);
  • Controle da dor.

No entanto, como os pacientes costumam apresentar vários cálculos, o risco de recorrência da cólica biliar é alto.

Dipirona serve para cólica?

A dipirona tem efeitos analgésicos, antiespasmódicos e antipiréticos e é usada para tratar a dor.7

O que é bom para cólica?

Chás

Orégano: controla distúrbios gastrointestinais e digestivos e problemas menstruais. No norte do Peru, suas folhas e caules, frescos ou secos, são empregados como remédios tradicionais para cólicas menstruais, menstruação e cólicas estomacais relacionadas aos estágios pré-menstruais.8

Camomila: é utilizada como calmante e indicada para perturbações estomacais, diarreias, náuseas e infecções urinárias.9

Hortelã: apresenta propriedades antiespasmódicas, sendo empregada nos casos de flatulência, icterícia, vômitos e cólicas uterinas.9

Erva doce: combate a cólica, a prisão de ventre e a dor de cabeça.9

Folha de laranjeira: as folhas, flores e cascas de laranjeira são estimulantes, tônicas e sudoríficas (provocam o suor), e são indicadas nas contrações dos músculos, indigestões e cólicas.9

Posições para aliviar a cólica10

Na hora de dormir, deite-se de lado com os joelhos semiflexionados e coloque uma almofada no meio das pernas. Tenha um cuidado especial com a coluna, que deve estar reta.

Cólica na gravidez11

A dor pélvica aguda na gravidez pode ocorrer, possivelmente devido a:

  • Durante o 1º trimestre – abortamento, gravidez ectópica (fora do útero) e neoplasia do trofoblasto gestacional (tumores nos anexos embrionários);
  • Durante o 3º trimestre – descolamento prematuro de placenta normalmente inserida e pré-eclâmpsia (hipertensão arterial durante a gravidez).

O diagnóstico dessas situações baseia-se na avaliação clínica, no ultrassom e no exame B-HCG plasmático.

Cólica fora do período menstrual ou depois de menstruar12

Dor fora do período menstrual, sangramento uterino anormal, dispareunia (dor genital associada à relação sexual), alterações na intensidade e duração da dor e achados anormais no exame pélvico sugerem problemas relacionados à dismenorreia secundária e requerem investigação adicional.

MAT-BR-2104832

Referências bibliográficas:

  1. SIGMON, David F, et al. Biliary Colic. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; Jan. 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28613523/. Acesso em: 09 set. 2021.
  2. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cólicas menstruais. Biblioteca Virtual em Saúde. Dez. 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/colicas-menstruais/. Acesso em: 08 set. 2021.
  3. ACQUA, Roberta Dall, BENDLIN, Tania. Revisão: Dismenorreia. Femina, Paraná, vol 43, nº 6, 2015. Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2015/v43n6/a5327.pdf. Acesso em: 09 set. 2021.
  4. MENDELSON, Richard. Imaging for chronic abdominal pain in adults. Aust Prescr, 2015;38:49-54. Disponível em: https://doi.org/10.18773/austprescr.2015.019. Acesso em: 08 set. 2021.
  5. ZANIN, Eduardo Madalosso, et al. Obstrução intestinal aguda. Acta méd, Porto Alegre; 37:(6), 2016. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/883021/16-obstrucao-instestinal-aguda.pdf. Acesso em: 13 set. 2021.
  6. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cálculo renal (pedra no rim). Biblioteca Virtual em Saúde. Fev. 2020. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/calculo-renal-pedra-no-rim/. Acesso em: 09 set. 2021.
  7. DE LEEUW, Thomas G, et al. The use of dipyrone (metamizol) as an analgesic in children: What is the evidence? A review. Paediatr Anaesth. Dez. 2017;27(12):1193-1201. Disponível em: https://doi.org/10.1111/pan.13257. Acesso em: 13 set. 2021.
  8. BENAVIDES, Víctor, et al. Effects of aqueous extract of Origanum vulgare L. (Lamiaceae) on the preimplantational mouse embryos. Rev. peru biol., Lima, v. 17, n. 3, p. 381-384, Dec. 2010. Disponível em: http://dev.scielo.org.pe/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1727-99332010000300015&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 15 set. 2021.
  9. REZENDE, Helena Aparecida de, COCCO, Maria Inês Monteiro. A utilização de fitoterapia no cotidiano de uma população rural. Revista da Escola de Enfermagem da USP. 2002, v. 36, n. 3, p. 282-288. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0080-62342002000300011. Acesso em: 15 set. 2021.
  10. PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO UFSM. Cartilha de autocuidado para mulheres com cólicas menstruais: exercícios, massagens e orientações. 2017. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/12228/saude%203.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 15 set. 2021.
  11. BERNARDES, João. Dor pélvica e dismenorreia. 2011. Disponível em: http://www.fspog.com/fotos/editor2/cap_10.pdf. Acesso em: 15 set. 2021.
  12. OSAYANDE, Amimi S., MEHULIC, Suarna. Diagnosis and Initial Management of Dysmenorrhea. American Family Physician, Mar. 2014;89(5):342-346. Disponível em: https://www.aafp.org/afp/2014/0301/p341.html. Acesso em: 15 set. 2021.